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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

ELECTROCARDIOGRAMA (ECG)

Um electrocardiograma não é mais do que um registo da actividade eléctrica do coração, que é obtido através de pequenos eléctrodos metálicos, colocados nos pulsos, tornozelos e, obviamente, no peito. Estes eléctrodos captam e amplificam os sinais decorrentes dessa actividade eléctrica cardíaca, sinais esses que em seguida são transmitidos ao aparelho de ECG, onde são convertidos em determinados modelos padrão (ondas).

Traçado do ECG

O coração é constituído por dois tipos principais de células: musculares e especializadas do sistema de condução. Origem da imagem ao clicarAs primeiras têm função contráctil e desempenham o trabalho mecânico da contracção: as quatro câmaras cardíacas (aurícula direita e esquerda e ventrículo direito e esquerdo) que podem ser visualizadas na figura, são formadas pelas células musculares que após a diástole (período de repouso onde as câmaras acumulam o sangue) são estimuladas durante a sístole para encurtar, propulsionando o sangue para o sistema cardiovascular. As segundas não são responsáveis pelo trabalho mecânico da contracção, mas coordenam a actividade, iniciando o ritmo cardíaco e propagando o impulso eléctrico através do estímulo da contracção das células miocárdicas.

A actividade eléctrica no coração deve-se ao facto de as células cardíacas serem carregadas ou polarizadas no estado de repouso, mas quando electricamente estimuladas, “despolarizam-se” e contraem-se. Assim, a contracção do miocárdio é produzido por uma onda progressiva de estimulação (despolarização) que atravessa o coração.

Origem da imagem ao clicarA onda de despolarização (interior das células torna-se positivo) e a de repolarização (as células voltam a ser negativas) ao atravessarem o coração são captadas pelos detectores externos (cutâneos), registando a actividade no ECG. Quando a onda positiva de despolarização dentro das células cardíacas se move em direcção do eléctrodo positivo (pele), regista-se sobre o ECG uma deflexão positiva.

Como se pode observar na figura o electrocardiograma é composto por várias ondas: P, Q, R, S (Q+R+S = complexo QRS), T e U.

Ao observarmos um destes registos vemos que ele é constituído por diferentes ondas, ondas estas que correspondem à passagem da corrente eléctrica pelas diferentes áreas do coração. Assim, resumidamente, podemos dizer que existe uma onda P que corresponde à passagem da corrente pelas aurículas (despolarização das aurículas), um complexo QRS formado por três ondas que correspondem à passagem pelos ventrículos (despolarização dos ventrículos) e uma onda T  que representa o breve "período de descanso" do coração entre os batimentos em que há a repolarização dos ventrículos, isto é, em que há como que uma recarga eléctrica.

 

Aquisição do ECG

O ECG de rotina compõe-se de 12 derivações separadas (6 derivações dos membros e 6 derivações precordiais), sendo derivações electrocardiográficas eléctrodos que captam a actividade eléctrica cardíaca.

Para obtenção das derivações dos membros DI, DII e DIII (periféricas), colocam-se os eléctrodos sobre os braços direito e esquerdo e sobre a perna esquerda, formando um triângulo, denominado Triângulo de Einthoven. Este triângulo forma o número mínimo de pontos de aquisição para ser possível obter o sinal ECG. As derivações dos membros são adquiridas da seguinte forma:

DI=AVL-AVR

DII=AVF-AVR

DIII=AVF-AVL

O membro não referido em cada derivação é o comum.

As outras três derivações dos membros são as unipolares aumentadas: AVR, AVL e AVF. A derivação AVR utiliza o braço direito como positivo e todos os outros eléctrodos dos membros como um fio terra comum (negativo). As outras duas derivações AVL (braço esquerdo positivo) e AVF (pé esquerdo positivo) obtêm-se de modo semelhante.

As seis derivações I, II, III, AVR, AVL, AVF reúnem-se para formar seis linhas de referência, que se cruzam com precisão num plano sobre o tórax do paciente (plano frontal).

Cada derivação dos membros regista-se a partir de um ângulo diferente, de modo que cada uma delas representa uma visualização complementar da mesma actividade cardíaca (os pares de eléctrodos são diferentes em cada derivação e sendo assim o traçado modifica-se ligeiramente quando alteramos o ângulo de onde se regista a actividade). Ao observar-se a actividade eléctrica por seis ângulos diferentes, temos uma perspectiva muito maior do controle da actividade eléctrica.

Origem da imagem ao clicar

 

As derivações precordiais (V1 a V6), situam-se nas paredes anterior e lateral do toráx. Estas dão a vista do coração e da onda de despolarização no plano horizontal.

Como está ilustrado na figura, estas derivações projectam-se do nó AV em direcção ao dorso do paciente que é o pólo negativo de cada derivação toráxica (se admitirmos que as derivações são os raios de uma roda, o centro será o nó AV). As derivações V1 e V2 estão sobre o lado direito do coração (derivações precordiais direitas), ao passo que V5 e V6 ficam sobre o lado esquerdo (derivações precordiais esquerdas). V3 e V5 localizam-se sobre o septo interventricular (parede comum ao Ventrículo Direito e Esquerdo).

O traçado de V1 a V6 mostra uma mudança gradual em todas as ondas, por exemplo, normalmente o complexo QRS é negativo em V1 e positivo em V6, isto significa que a onda de despolarização ventricular (representada pelo complexo QRS) está-se a deslocar em direcção ao eléctrodo positivo de V6.

AO UTENTE:

Para que serve?

O traçado do electrocardiograma, para além de mostrar a frequência e o ritmo cardíacos, dá também informações importantes acerca de lesões do miocárdio (músculo cardíaco) e do pericárdio (membrana que rodeia o coração), permitindo distinguir um enfarte do miocárdio antigo de um que esteja em progresso. Permite também visualizar alterações da actividade eléctrica do coração decorrentes de algum desequilíbrio químico no sangue, como sejam níveis anormais de cálcio ou potássio. Por fim, temos que o ECG permite ainda visualizar a acção de certos medicamentos que actuam sobre o coração, como por exemplo os digitálicos.

Assim, o ECG é utilizado para avaliar pacientes com dores no peito de causa desconhecida, assim como todos os casos em que há suspeita de alterações cardíacas, sejam elas a doença coronária sintomática (angina de peito), o enfarte de miocárdio ou as arritmias cardíacas.  O ECG é também  muito importante na detecção da doença coronária "silenciosa", sendo considerado um exame que deve ser feito regularmente a partir de certa idade, principalmente nos pacientes com factores de risco significativos, como hipertensão, colesterol sanguíneo elevado, diabetes, tabagismo ou história familiar marcada de problemas cardíacos. Para além disto, é também útil no diagnóstico de pericardites, embolias pulmonares, alterações dos níveis sanguíneos de cálcio e potássio ou "overdoses" (doses demasiado elevadas) de certos medicamentos.

Como é feito?

Após remover os sapatos e as meias, arregaçar as magas e tirar ou desabotoar a camisola ou camisa, permitindo assim livre acesso aos tornozelos, pulsos e peito, o paciente deita-se. O técnico limpa então as regiões mencionadas para remover qualquer excesso de gordura cutânea ou suor.

De seguida, são colocados 9 a 12 pequenos eléctrodos nas diversas partes do corpo citadas, nomeadamente, um em cada braço (pulso) e perna (tornozelo) e seis ao longo da região esquerda do peito, podendo, por vezes, ser também colocados mais um ou dois noutras áreas do peito, pescoço ou dorso. Estes eléctrodos estão fixos à pele por pequenos adesivos ou então por umas pequenas campânulas que fazem um efeito de ventosa.

Uma vez colocados os eléctrodos em posição basta apenas relaxar enquanto se faz o registo, respirando normalmente e não fazendo quaisquer movimentos desnecessários nem falando. O ECG é exame rápido (10 minutos), indolor e de fácil execução.

Após a conclusão do ECG os eléctrodos são então retirados e o paciente pode vestir-se e ir para casa.

 

É necessária alguma preparação?

Na generalidade dos casos não é necessária nenhuma preparação em especial, contudo, pacientes que estejam a tomar medicamentos devem alertar sempre o médico e o técnico antes de se proceder ao exame, para que eventuais alterações decorrentes dessa medicação possam ser correctamente interpretadas.

 

O ECG tem algum risco?

O ECG é um procedimento diagnóstico de rotina, completamente seguro, sem qualquer efeito secundário.

 

Outras técnicas adicionais

O electrocardiograma "standard" apresenta dois problemas: é executado com o paciente em repouso pelo que não mostra alterações que podem ocorrer apenas durante o esforço , como é limitado no tempo (10 minutos) pode deixar escapar alterações esporádicas do ritmo cardíaco.

Para resolver estas duas questões foram desenvolvidas técnicas que permitem aumentar a probabilidade de detectar as alterações:

  • Electrocardiograma de esforço - faz-se o registo da actividade eléctrica cardíaca enquanto o paciente anda numa passadeira rolante ou pedala numa bicicleta estacionária. Esta técnica, também denominada ECG de "stress", permite detectar padrões cardíacos anormais  e uma insuficiente irrigação ou oxigenação do músculo cardíaco que ocorrem apenas durante o esforço.
  • Electrocardiograma ambulatório - vulgarmente conhecido por Holter, trata-se de um registo da actividade eléctrica cardíaca que é feito num período de 24 horas, enquanto o paciente faz a sua vida normal. Realiza-se com um aparelho portátil que fica debaixo da roupa e que grava toda a informação que é depois analisada por um computador ou imprimida como num ECG "standard".
  • Electrocardiograma transmitido por telefone - serve para transmitir a informação de padrões anormais quando o paciente tem os sintomas. Assim, quando surge a sintomatologia, o paciente liga para um número específico e o aparelho transmite os dados através da linha telefónica.
  • Gravadores de episódios - servem para "capturar" traçados de ECG de determinados períodos do dia. Assim, quando os sintomas surgem o paciente pressiona um botão e o aparelho "congela" a informação dos últimos minutos. Posteriormente o cardiologista tem acesso aos dados, ficando então com informação acerca da actividade cardíaca no período em que ocorreram os sintomas.

Publicado por 100STRESS às 17:28
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4 comentários:
De CPL a 10 de Janeiro de 2011 às 21:25
Boa noite. Gostaria de esclarecer uns pequenos erros "técnicos" deste texto. Um aparelho de ECG chama-se um Electrocardiografo. Não percebi porque se tem de tirar os sapatos e as meias se os electrodos vão ser colocados no tornozelo??? E já agora podia me esclarecer para que servem os electrodos no pescoço e no dorso? São para ver que parede? E leva 10 minutos a ser feito? Feito por quem??? E já agora limpar e remover gordura para quê?? Não é suposto utilizar-se um gel nos electrodos???
Atentamente
CPL


De HETEDR a 26 de Agosto de 2011 às 00:39
Deve ser um babaca do 5a querendo ser Dr, para de criticar o dono do blog que faz alguma coisa que presta açogueiro de merda!


De Anónimo a 2 de Novembro de 2012 às 14:52
Não percebi porque se tem de tirar os sapatos e as meias se os electrodos vão ser colocados no tornozelo??? AS MEIAS PODEM COBRIR O TORNOZELO, ENTÃO RETIRA-SE DESSA REGIÃO. PODE-SE RETIRAR OS SAPATOS PARA DEIXAR O PACIENTE MAIS CONFORTÁVEL. E leva 10 minutos a ser feito? Feito por quem??? 10 MINUTOS É APROXIMADAMENTE, E NÃO UMA REGRA. O EXAME É FEITO PELA EQUIPE DE ENFERMAGEM ESPECIALIZADA NA ÁREA. E já agora limpar e remover gordura para quê?? Não é suposto utilizar-se um gel nos electrodos??? LIMPAR A PELE PARA MELHOR FIXAÇÃO DOS ELETRODOS. O GEL SÓ É UTILIZADO EM PACIENTES COM PELO NO TORAX OU NAQUELES EM QUE OS ELETRODOS NÃO ESTAO FIXANDO, AÍ SIM SE UTILIZA O GEL. LEMBRANDO QUE A TRICOTOMIA SÓ É FEITA EM ULTIMO CASO!


De Hiago a 13 de Setembro de 2016 às 23:05
Para aumentar a confiabilidade das informações poderia colocar as referencias bibliográficas.


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